Trechos de

"Um Mundo Perfeito"

   ...Então ouviu. Não soube dizer, entretanto lhe pareceu que talvez tivesse sido um pensamento. Foi como se as palavras tivessem adentrado em sua mente, e ouviu-as nitidamente.
“HÁ UM PERIGO NA ILHA, ISMAEL, TÃO ANTIGO QUANTO A ALMA DOS HOMENS...” Levou um susto e por um momento pensou... Estaria louco? Segurou as mãos da amiga, mas ela se mantinha inconsciente, embora estivesse respirando.
Tinha quase certeza de que era a voz dela que acabara de escutar...

 

O que quer que tenha acontecido em Pedra-Luz, o farol havia sido testemunha de tudo. Era o guardião fiel contra os perigos da ilha. Contra o terror das correntes do Golfo Tremo. E agora apenas observava, contemplava mudo e cúmplice, inerte e inútil, a solidão impenetrável e reinante, entrecortada apenas pelo murmúrio de ondas quebrando mansamente na costa.


Mas havia uma preocupação ainda maior que a deixava com um medo profundo e irremediável. Porque também havia feito um pedido, e então a última coisa que queria fazer na sua vida era dormir. O escuro da noite a aterrorizava como nunca havia sequer pensado antes. Qualquer luz que vinha no escuro era uma ameaça porque vinha no escuro.
Até que depois, no meio dos seus pesadelos insones, sem querer adormeceu.


   

“Será que todos os moradores da ilha estão correndo risco de vida?”, Ismael perguntou-se, sentindo-se mais uma vez impotente diante do que lhe era inexplicável.
“O que exatamente Zita tinha visto que a deixara naquele estado terrível?”
“Por que eles estariam morrendo? Mas pra onde teriam ido?”

   

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